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| Rise Agains + Fitacola escrito por Paulo Lemos |
| 2010|07|08 |
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| Já desde 2003 que os Rise Against não pisavam um palco em Portugal. Essa foi a primeira e única vez que actuaram no nosso País, embora a produtora Everything Is New tenha anunciado o contrário, ou seja, que esta era precisamente a estreia da banda em palcos portugueses. Na altura, a Xuxa Jurássica organizou o tal concerto e os Rise Against partilharam o palco com os Mad Caddies. Novos tempos, novas andanças e um enorme crescimento e reconhecimento musical: passados 7 anos, os Rise Against voltaram em grande e actuaram no Coliseu de Lisboa com cerca de 3000 pessoas presentes. |
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Os atrasos em concertos do movimento Punk e Hardcore são constantes e regulares, contudo, ao contrário do que habitualmente ocorre, o início do espectáculo estava marcado para as 9 horas e assim aconteceu. Por isso, cronometrado ao segundo, os Fitacola entraram em palco exactamente hora prevista e abriram o espectáculo perante uma boa recepção do público: este gritava num enorme coro “Fitacola, Fitacola, Fitacola” antes e aquando do momento que os membros da banda pisaram o palco e abriram o evento com o tema “Falsos Valores”. As luzes encontravam-se acesas até então e mal iniciaram o espectáculo, estas desligaram-se dando-se o início ao esperado concerto. Os Fitacola encontram-se de momento a promover o EP “Outros Dias”, editado pelas Optimus Discos, e estão também em gravações para um novo álbum. Demonstraram estar um pouco nervosos, perante uma “prova de fogo” que é abrir um concerto para uma das suas bandas favoritas, mas deram um bom e coeso espectáculo. Durante o concerto, o vocalista Diogo admitiu que os Rise Against foram uma das principais influências musicais dos Fitacola. Graciosa foi a história em que este comprou o bilhete para o concerto no qual viria num futuro próximo a participar, pois, perante um leque de bandas à escolha, os Fitacola acabaram por ser escolhidos pelos próprios Rise Against para fazer a primeira parte do seu espectáculo.
Além de promoverem o EP, tocaram alguns temas do seu álbum, Mundo Ideal, editado em 2008. Os presentes demonstraram conhecer as músicas de Fitacola e no tema “Miúdo”, no ante-refrão onde Diogo canta “Voltar a repetir”, foi o público que o substitui num enorme coro. Um momento bonito e certamente marcante para a banda de Coimbra. Um outro momento marcante e deveras emocionante aconteceu na música “Outros Dias”, que foi dedicada a um amigo doente da banda. Este tema foi tocado com toda a paixão que existia nos membros dos Fitacola. Tocaram também um novo tema do album que sairá em breve, a música Acordei. Esta foi disponibilizada recentemente no myspace da banda e o vocalista e guitarrista Diogo abandonou a guitarra, tomando as posses somente do microfone. Demonstrou estar à altura deste papel e impressionou os presentes pela sua boa presença em palco.
“Sentimos que tínhamos o público do nosso lado,” disse o baterista ao Ponto Alternativo. E realmente era verdade. O adeus sentido do vocalista Diogo foi saudado calorosamente pelo público com um agradecimento geral: gritaram “Fitacola” até estes abandonarem por completo o palco.
Mas a noite era dos Rise Against. Era por estes que o público tanto ansiava. Quando o vocalista Tim McIlrath entrou em palco, a banda iniciou o espectáculo com o tema “Collapse (Post-America)” e o Coliseu entrou numa tremenda euforia. Foi com uma alegria imensa que o público recebeu os Rise Against: iniciou-se de imediato um mosh pit e os presentes cantavam as letras com uma felicidade imensurável. A banda norte-americana dedicou este concerto ao seu novo álbum, Appeal to Reason, mas tocaram alguns temas do álbum Siren Song of the Counter Culture, editado em 2004. A emoção do vocalista era tanta que na música “State of Union” mal conseguia conter a respiração e a melodia da voz saíu um pouco diferente da música em estúdio.
Ao terceiro tema, “Re-education (through labor)”, a felicidade tornou-se uma ditadura onde o público entoava de coração erguido o refrão deste tema. Aqui, o vocalista Tim McIlrath tornou-se também guitarrista, dando mais consistência (se tal for possível) e um som mais preenchido à banda. O quarto tema, Long Forgotten, demonstrou um bom jogo de luzes e que a adolescência ainda sabe viver um bom espectáculo de Punk Rock. Encontrávamos por todo o Coliseu pessoas aos saltos, um mosh pit na frente do palco e amigos que se abraçavam perante a emoção dos temas dos Rise Against.
Tocaram mais alguns temas e a emoção do público e da banda encontravam-se em perfeita sintonia. Depois do tema “Prayer”, abandonaram o palco. Passados poucos minutos, regressaram para um encore. Assim, o vocalista surpreendeu ao regressar sozinho para tocar as baladas “Swing Life Away” e “Hero of War”. Agarrou desta forma uma guitarra acústica e actuou para um público que sabia, deveras, as letras destes temas e que ergueu isqueiros, telemovéis e máquinas fotográficas perante um momento tão marcante. Depois destes dois temas mais calmos, pudemos ouvir “Entertainment” e “Give it All”.
Encontrámos assim um vocalista comovido pela boa recepção do público português. Este desculpou-se pela banda não ter regressado a Portugal desde há 8 anos e que, depois desta boa recepção, voltariam brevemente de certeza. Os Rise Against são uma banda politicamente activa: todos músicos são vegetarianos e membros activos da PETA (organização que luta pelos direitos dos animais). Houve, assim, uma crítica à cultura americanizada e globalizada que existe pelo mundo. O vocalista elogiou mesmo a bela cidade de Lisboa, ficando feliz por existir ainda no mundo um sítio tão genuíno como aquele.
Terminaram o concerto com o tema Ready to Fall. Mas bem que poderiam ter voltado para um segundo encore, que ao público português certamente saberia muito bem.
Escrito por Paulo Lemos - Ponto Alternativo Foto de Lais Pereira http://opontoalternativo.wordpress.com/2010/07/07/concerto-rise-against-coliseu-dos-recreios-lisboa/
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